quinta-feira, 6 de julho de 2017

Escrevi esse miniconto há alguns anos, inspirado numa cena passada na sala de espera de um consultório médico e que presenciei com doce encantamento.

       Ele e Ela

      Ele abria os braços, sorridente, um convite ao abraço. Ela ria, corria para ele, parava a sua frente, ria mais, dava as costas e corria de volta. Ao parar, olhava para trás, para ele, ali, parado, braços abertos. Ele insistia, chamava-a, os braços teimosos ali, escancaradamente abertos, aguardando-a. Ela ria, corria de novo para ele, parava, ria mais uma vez e retornava, sem consumar o abraço. Ele agora teimava, exigia, queria aquele abraço, seus braços ansiosos e desprezados continuavam estendidos, seus olhos, aflitos. Ela divertia-se com isso, ria, e uma vez mais repetiu sua tortura, foi, riu e voltou. 
    Ele, então, desistiu. Seus braços desabaram, cansados. Ele correu, chorando e foi aninhar-se no colo da mãe, que o consolou com palavras carinhosas e afagos na cabeça. A tia ofereceu-se para abraçá-lo, mas foi imediatamente rejeitada, era o abraço daquela insensível que ele queria, e isso o fez chorar ainda mais. E ela ria, sentada no banco, balançando as curtas perninhas, indiferente ao drama daquela primeira desilusão. 
    Ele não tinha mais que três anos de idade, ela, dois e meio, talvez.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Escrevi esse conto em abril de 2014 para participar de uma antologia que acabou não acontecendo. Achei-o agora em meio a outros textos num arquivo do computador. Sacudi, então, a poeira digital que o encobria e resolvi publicá-lo aqui, retomando a atividade desse espaço que, assim como ele, o conto, também foi esquecido no mesmo período e agora ressurge com promessas de novas e constantes publicações. 
Por mais leituras! Por mais café com resenhas!

Desencanto

Os olhos eram de um castanho intenso. Os longos cílios curvavam-se para fora, emoldurando o que parecia ser um convite e sua forma amendoada de seus olhos a deixava com um ar felino, provocante. Era isso o que os atraía, essa era a isca, eles diziam.
Ela sempre acreditou. Não que não se achasse atraente, não, isso não. Tinha uma pele alva e macia, o rosto comprido, mas não magro, antes cheio, um pouco anguloso. O nariz até que era comum, mas a boca... Ah, a boca! Era pequena e de lábios carnudos, suculentos como um caju maduro, eles diziam isso também, a mulher dos lábios de caju.
O corpo, então? Nem tão alta, nem tão baixa, magra, mas com quadris largos e cintura fina e uma boa camada de carne nos lugares certos, bons de apertar, como eles diziam. É verdade que, às vezes, eles apertavam além do suportável, até machucavam, mas não eram todos assim.
E o que dizer das pernas? Coxas volumosas e bem torneadas levavam os incautos a perderem horas admirando-as enquanto bebiam compulsivamente sentados às mesas.
Não possuía mais o ar inocente com o qual chegara ali, na década de 40, aos quinze anos, vinda da cidade de Esperança, uma ironia do destino. Vinda não por vontade sua, mas por ter sido expulsa pelo pai porque não era mais a garota pura e virgem que ele imaginava. Mas ele não fez isso por se sentir ferido em sua estúpida honra de pai. Na verdade ele sentiu-se ferido em sua não menos estúpida honra de macho.
No entardecer da véspera de sua partida, ela deitou-se mais cedo apenas para descansar um pouco dos afazeres do dia e, extenuada, acabou adormecendo e se esquecendo de trancar a porta do seu quarto. O pai chegou bêbado no meio da noite, como fazia todas as noites, e, como fazia todas as noites, empurrou com a mão a porta do seu quarto. Surpreso ao não encontrar resistência, abriu-a, entrou e trancou-a. Olhou para ela, adormecida, os cabelos espalhados displicentemente no travesseiro, o cheiro de suor no ar, um cheiro doce, o cheiro dela. Sentiu no seu sexo um fogo intenso a lhe queimar as entranhas.
Ele não lhe deu oportunidade de sequer reagir. Possuiu-a ali, sem desculpas nem remorsos, afogado numa volúpia suja e libertina. Ela aguentou calada, sequer chorou naquele momento. Quando ele, saciado, saiu de cima dela e, desconfiado, procurou no lençol o sinal de sua conquista, percebeu que não tinha sido o primeiro e aquilo queimou suas entranhas ainda mais fortemente que o desejo impuro.
Ela mal sentiu a primeira bofetada. Ainda estava entorpecida pelo asco daquela conjunção. Aguentou a violência física com o mesmo silêncio com que suportou a sexual. Sabia que gritar acordaria a mãe doente que dormia no quarto ao lado e não queria lhe causar a dor de tanto desgosto.
Sentia dor, mas também uma mórbida satisfação por ver a frustração e a raiva estampada naqueles olhos furiosos. Já havia percebido o quanto ele a desejava. No começo não quis acreditar, mas as passadas de mão em suas pernas por baixo da mesa, as carícias em suas nádegas quando passava por perto foram suficientes para tornar críveis seus mais suspeitos temores.
Não podia contar para a mãe, já fragilizada por uma tuberculose mal tratada. Passou a trancar a porta do quarto à noite desde os treze anos, mas sentia que isso não seria o bastante. Sabia, então, que isso acabaria acontecendo, mais cedo ou mais tarde. Então resolveu que, já que não poderia evitar, viveria sua primeira vez com prazer. E entregou-se, há quase um ano, ao jovem e recém-formado professor da escola estadual, que tinha os olhos da cor do céu e sabia falar palavras bonitas e mansas ao seu ouvido. Deitou-se com ele muitas e muitas vezes, tantas que nem saberia contar, mas nunca o suficiente para prepará-la para o horror desse momento.
Depois que seu pai resolveu sair do quarto, já cansado pelo esforço do coito e da surra que lhe aplicara, ela, enfim, pressionou o rosto no travesseiro e urrou, em meio ao choro convulsivo.
O amanhecer ainda encontrou-a acordada, encolhida como num casulo. Apesar de desperta, assustou-se quando a porta do quarto foi aberta de repente e o pai entrou, sem olhá-la nos olhos. “Arrume suas coisas”, ele disse, “não quero vagabunda na minha casa”. Ainda tonta, ela catou suas poucas roupas e alguns objetos pessoais e se foi. Nem se despediu da mãe, o que poderia dizer a ela? Isso doeu mais que a surra.
Chegou à pensão de Judith, na Rua Cinco de Agosto, em Campina Grande. Aprendeu rápido que pensão não era o nome mais adequado para aquele lugar, que aquela região chamava-se Manchúria e que ali seria escrita a sua história. A casa era simples, pois os melhores “cabarés” ficavam na “Rua Boa”, como ficou conhecida a Rua Manoel Pereira de Araújo. Mas, naquele momento, o melhor lugar era aquele que lhe abria as portas.
Já estava grávida, a criança já germinava no seu ventre sem que ela sequer se apercebesse. Algumas semanas após a sua chegada, os fortes enjoos denunciaram à Judith que a sua nova menina já viera “cheia”. O primeiro ímpeto foi mandá-la embora, afinal, seu ramo não era a caridade e, além disso, como se não bastasse concorrer com a pensão de Zefa Tributino, depois que o Cassino Eldorado abriu suas portas, os negócios sofreram uma concorrência que ela considerava desleal, pois até “meninas” vinham do Recife para “trabalharem” no lugar, nos finais de semana.
Mas seu coração embrutecido pela vida ainda era de mulher e guardava num recanto um grama de compaixão, o bastante para aceitá-la até que a criança nascesse, mas não tanto para permitir que ficasse junto à mãe. O bebê nasceu pequeno, com baixo peso, talvez prematuro. Ela não tinha certeza da sua paternidade.
E foi com uma dor esquisita, um misto de amor e medo, que se apartou do filho recém parido. O coração inquieto sangrava, mas temia um dia reconhecer naquele rosto, os traços do seu próprio pai.
A vida seguiu e a moça dos lábios de caju viu passar por sua cama tantos quantos passaram por aquelas ruas. Com o tempo, não adquiriu apenas rugas e cicatrizes, como a que João Belo deixou na palma da sua mão direita, quando ela levantou-a na altura do rosto para defender-se de uma garrafa quebrada que ele havia atirado em sua direção. O tempo também a ensinou a esquecer, a jogar embaixo do tapete da vida as mágoas, a saudade, a dor. Mas não a esperança. Sonhava com o dia em que teria uma vida só dela, sem precisar dividi-la com mais ninguém.
Quando ela já passava muito dos seus trinta anos, uma noite apareceu entre os frequentadores da pensão, um senhor distinto que morava na Rua João da Mata, com um rapazote, sobrinho seu, a quem o homem atribuía virgindade tardia e uma timidez típica de quem morava em cidade muito pequena, e queria a mais formosa do Bairro Chinês para assumir a missão de apresentá-lo ao amor. Judith chamou-a, pois, apesar da idade, ela ainda era a mais doce e agradável da casa. Era algo comum na época, os garotos aprenderem a arte de amar com as mais pacientes.
O rapaz era muito acanhado, ela conversou um pouco para tentar deixá-lo à vontade. Aos poucos, ele foi se ambientando e ela, enfim, levou para um dos quartos. Foi tirando a sua camisa e passando as mãos ásperas, mas de unhas pintadas no seu peito, seguindo em direção a sua nuca, onde mergulhou os dedos nos fios curtos do seu cabelo macio. Beijou-o longamente, os lábios de caju, úmidos e ainda doces, o faziam soltar curtos gemidos enquanto a pele se arrepiava.  Ela o deitou de bruços na cama ainda vestido com as calças e foi dando beijos no seu dorso. Chegando à cintura, ao afastar o cós da roupa, viu uma mancha escura no lado direito. Sentiu o peito gelar e o coração parar de bater. Baixou a calça com violência e, lívida, viu ali o mesmo sinal que já tinha visto há tantos anos nas costas do seu pai.
Ríspida, mandou o jovem se vestir e sair dali imediatamente. Confuso e, ainda entorpecido, ele se viu praticamente empurrado pra fora do quarto. Logo ela ouviu gritos lá fora, o homem que havia trazido o rapaz e Judith gritavam impropérios e ofensas mútuas. Depois se seguiu o silêncio. Judith entrou no quarto e a viu, sentada na cama, ainda pálida e imóvel como uma estátua. “Era ele”, a mulher ouviu-a dizer, com uma voz cheia de amargura, “Era ele, Judith, o meu menino”. Judith fechou a boca entreaberta e engoliu as palavras desaforadas que pretendia dizer quando entrara ali. Fitou-a por alguns minutos, tentando imaginar o turbilhão de sentimentos que se passava no peito daquela criatura desafortunada, depois saiu e fechou a porta, ordenando às outras que a deixassem em paz.

O dia seguinte amanheceu sereno, contrastando com os acontecimentos da noite anterior. Ela demorou a sair do quarto. Judith deixou-a descansar por todo o dia. Ao entardecer, resolveu que já era hora dela enfrentar o que passou e recomeçar a vida. Encontrou fechada a porta do quarto. Bateu, chamando-a e não obteve resposta. Aquilo era um mau presságio. Chamou dois homens que já haviam chegado e bebericavam doses de conhaque barato e mandou-os arrombarem a porta. Já sabia o que iria encontrar, mas, mesmo assim, a cena a chocou e comoveu. Lá estava ela, o rosto azulado, os lábios de caju entreabertos deixando exposta a língua arroxeada, os olhos amendoados sem luz, fitando o vazio, o corpo parecendo flutuar, pendurado por duas meias de mulher, compridas e finas, enroladas e amarradas, uma ponta numa madeira de linha do teto e a outra, no pescoço alvo e fino. No chão, uma cadeira caída e, espalhados ali, os estilhaços da sua alma.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

A dura vida de escritor



(Essa crônica foi publicada em 16/06/2010, num site que se encontra desativado.)

Recentemente fui à loja de uma colega com o intuito de contratar um serviço. Conversando com a proprietária, comentei sobre meu livro, lançado há algum tempo, e, para minha surpresa, ela sugeriu que eu a presenteasse com um exemplar, como uma “cortesia” e assim ela iria comentar sobre ele com suas clientes.
Na hora fiz cara de paisagem e desconversei. Saí de lá com uma sensação estranha, como se tivesse ouvido uma ofensa a minha pessoa. Ao refletir sobre o ocorrido, constatei que na verdade, o que eu ouvi foi, de fato, uma ofensa: a mim, ao meu esforço, ao meu trabalho. O que acharia essa pessoa se eu lhe pedisse que realizasse um serviço para mim, como “cortesia”, e então eu faria propaganda gratuita entre os amigos?
Imaginem se a cada vez que lançarem um produto ou serviço novo, você se dirigir a uma loja e pedir uma “cortesia”. Que futuro aguardaria esses comerciantes senão o fracasso? Então por que imaginar que um escritor, que trabalha ideias, que produz sonhos, que cria histórias, que gera entretenimento, não merece ter o fruto do seu trabalho valorizado como qualquer outro?
Em nosso país é comum encontrar escritores que tem uma outra atividade laborativa para ajudá-lo a manter seu orçamento. A produção intelectual costuma ser vista como um hobby, um passatempo, uma segunda opção. A dedicação exclusiva à literatura chega a ser considerada por alguns como uma perda de tempo, ou seja, o escritor que não tem outra profissão é visto muitas vezes como um desocupado.
Pessoas que tem essa visão são frutos de uma sociedade consumista e frívola que cultua a beleza estética com seus puxas e repuxas de pele, a ostentação de grifes ainda que se estoure todos os limites dos cartões de crédito e os sorrisos congelados da Revista “Caras”.
Mas a sociedade também tem outra face: a dos que trabalham e exigem respeito com seu labor, os que respondem às futilidades com atitudes sadias e inteligentes sem também tornarem-se tiranos da intelectualidade.
Para todos os que consideram os valores éticos e morais como pilares de qualquer trabalho honesto que se exerça e que respeitam todo trabalho produzido com dignidade, minhas considerações e meus respeitos.
Aos que não, minha cara de paisagem.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

A menina que falava com as árvores

E se o ditado "filho de peixe, peixinho é" já virou clichê, permitam-me, então, invertê-lo, pois nesse caso eu é que me sinto o peixinho diante desse conto escrito há dois anos por minha filha Ana Rafaela, quando contava seus 13 anos de fecunda adolescência. 

A menina que falava com as árvores

Ana Rafaela Amorim

Quando Sean conseguiu encontrá-la, ela estava parada, de costas para ele, observando algo muito distante, o que era perceptível pela concentração no olhar. Seguindo seu ângulo de visão, ele percebeu que Liz olhava diretamente para o horizonte, que agora possuía um tom azul mais escuro que o resto do céu.
- Liz, o que houve? – Ele se aproximou um pouco, desviando-se dos galhos das árvores.
Ela ficou por um tempo parada, sem responder. Sean podia ouvir sua respiração falhando.
- Não consigo mais, Sean.
- Não consegue o quê? – Perguntou ele, enquanto se aproximava, receoso.
- Eu não posso mais guardar isso só para mim.
- O quê, Liz? Fale! – Ele segurou sua mão. Estava fria como gelo, mas continuava macia e ainda se encaixava perfeitamente no contorno da sua.
- Sean – Ela segurou um pouco a respiração, como se procurasse as palavras ideais ou apenas estivesse tentando remediar o que iria dizer – Toda e qualquer decisão que tomamos vem sempre acompanhada de uma consequência. Você sabe disso, não sabe?
- Sim, Liz. O que você está tentando me dizer? – Sean contornou devagar a amiga, na esperança de ver seu rosto que continuava oculto, desde quando saíram da campina, pelas suas volumosas mechas vermelhas.
- Sean - Ela se virou-se para ele, antes que o menino ficasse de frente a ela. Estava chorando. As lágrimas brilhantes molhavam suas bochechas sardentas – O que eu vou lhe contar agora vai ter uma consequência terrível.
- Como assim? O que houve, Liz? – Perguntou Sean, que agora segurava as duas mãos da garota. Ele tentava imaginar o que poderia ser tão drástico que fizesse uma frágil menina de 11 anos falar algo assim. Tudo o que ele queria era abraçá-la e, mesmo sem saber do que se tratava, garantir que tudo ficará bem.
- Se eu te contar, eu vou ter que ir embora... pra sempre.
- Embora? Por quê? Você não pode ir emb...
- Eu sou um anjo, Sean. – Disse Liz alto e claro o bastante para fazer o menino se calar, confuso.
- O quê? – Ele franziu a testa.
- Eu apareço na vida das pessoas para fazer algo bom. Vim de um lugar totalmente diferente deste mundo que agora estou. – Ela respirou fundo - Enviaram-me para cá porque eu tinha algo a fazer aqui.
- Então qual era a sua missão aqui? – Perguntou Sean, mesmo sem aparentar compreender o que ouvia.
- Salvar a sua vida. – Ela respondeu baixinho, como se tivesse medo das árvores escutarem o que dizia – Mas...
- Mas o quê? – Sean, que permanecera sem reação com a enxurrada de informações que recebera, perguntou aflito.
- Mas os anjos não podem se prender aos humanos – Ela respondeu, e vendo que Sean não compreendera totalmente o que pretendia dizer, continuou - Eles não podem se apaixonar por humanos – Liz fechou os olhos com força fazendo uma lágrima descer por seu rosto, como se sentisse a culpa de suas palavras caindo em sua consciência.
- Se apaixonar?
- E quando eu conto isso pra alguém... eu preciso ir embora.
- E por quem você se apaixonou, Liz? – Ele chegou perto, afagando suas bochechas molhadas pelas lágrimas.
- Por você. – Ela pulou em seu pescoço, rodeando os braços em volta dele. Suas lágrimas molharam o ombro do garoto – Eu te amo, Sean.
Ele a abraçou de volta. Mesmo com o choque que sentiu ao ouvir dela tais palavras, ele percebeu que também sentia o mesmo. Que aquela pessoa que agora segurava em seus braços era a única que o faria completo pelo resto de sua vida. Sem ela ele não estaria ali. Sem ela sua vida nunca mais teria sentido. Sobreviveria, mas oco e inválido, tudo o que ele menos desejava.
Antes que ele pudesse responder sentiu um vento frio rodeando os dois. Era tão gelado e cortante. Sentiu pequenas folhas batendo em seu corpo. Mas ao abrir os olhos viu que eram, na verdade, flores de ipê rosa. Elas voaram em círculos em voltas deles, como se tivessem vida própria. Porém, ao invés de irem embora levadas pelo vento, elas passaram por entre os garotos fazendo-os soltar o abraço.
Liz arregalou os olhos quando as viu: - Não! Não posso ir embora! Por favor, não! – Ela gritava como se implorasse para alguém além de Sean, mas não havia ninguém lá além deles. Ela tentou segurar-se no menino, mas era tarde demais, a brisa a levantava do chão. Liz se debatia tentando agarrar a mão dele.
- Liz! – Sean gritou enquanto tentava, sem sucesso, segurar sua mão.
As flores continuavam a envolvê-la acompanhando cada movimento seu, impedindo-a de tocar Sean. Ela começou a se afastar, ficando cada vez mais alto e longe.
Sean começou a segui-la, gritando seu nome sempre que seu fôlego permitia. Eles estavam saindo da floresta, as árvores cada vez mais dispersas. A luz do sol agora atingia totalmente o chão, mesmo que esta irradiasse de um ângulo quase que paralelo a este. Sean sabia para onde estavam indo.
E foi aonde chegaram. O precipício.
- Sean! – Liz começara a desaparecer, logo após sobrevoar a beira do penhasco.
- Liz, não vá! – Ele corria o máximo que podia. – Eu te amo!
No momento em que disse isso Sean pôde ver um leve sorriso surgindo no rosto da amiga em meio a tantas lágrimas. Pôde ver que Liz de repente parou de lutar contra as forças que a levavam embora. Viu que, finalmente, após minutos de dor e desespero, Liz encontrou o alívio. A sensação de ser amada de volta levou embora Liz Evans em paz. Simplesmente sumiu, junto com as flores e com qualquer indício de que um dia tenha existido.
- Liz... – Sean parou de correr encarando o céu claro, procurando por ela.
Ela se fora. A poeira que pairava no ar vinda das flores que a levaram agora se dissipava.
Liz era sua melhor amiga, era tudo para ele. Agora percebera que amizade não era a única coisa que os ligava. Ela era sua alma gêmea. A única que o completava inteiramente e que naturalmente o compreendia. Mesmo sendo tão jovens tinham encontrado um lar um no outro, um porto seguro. Sua alma gêmea não era perfeita, e ele mesmo acreditava que não era seu príncipe encantado, mas imperfeitos se completavam. Nada mais faria sentido sem sua companhia.
O arfante, confuso e perdido menino se aproximou do limite de terra, e sua mente se afogava em desespero. No fundo sabia que não agiria por impulso ou irracionalmente, seria um feito capaz de impedir de uma vez uma vida de dúvidas e solidão. E, baseando-se na sua crença, encontraria Liz num lugar melhor, onde este mundo doentio não poderia lhes afetar.
Olhou para as rochas que estavam ao pé do penhasco.
Respirou profunda e lentamente.
Fechou os olhos.
E atirou-se.


terça-feira, 22 de outubro de 2013

O melhor de mim




O melhor de mim ainda não está pronto.

É um destilado dos meus erros

e da minha vontade de acertar



O melhor de mim tem cheiro forte.

Um sabor às vezes doce, outras, acre,

mas sempre marcante e firme

como devem ser as decisões



O melhor de mim me cala

e depois me restitui a voz

para que eu perceba

o valor do silêncio e da queixa



O melhor de mim é o meu querer,

meus “sins” e meus “nãos”

sem equilíbrio

pois a equidade carece de um pouco de insensatez



O melhor de mim não se encontra comigo

Dispersa-se no ar,

entranha-se na alma alheia

e retorna, transformado, à veia, através de um olhar.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Posse na Academia de Letras de Campina Grande


Discurso de posse de Mabel Amorim na Academia de Letras de Campina Grande, em 09 de agosto de 2013

Desde os tempos mais remotos que o homem sempre se deleitou em ouvir histórias. Fossem elas relatos de acontecimentos ou frutos da imaginação, as narrativas sempre atraíam, intrigavam, encantavam. Aquele que narrava, certamente logo deve ter percebido o poder de sedução e encantamento das palavras que, pronunciadas na cadência certa, levavam seus ouvintes a orbitar a sua volta, dedicando-lhes toda a sua atenção.
Assim tem sido esse fascínio até os hodiernos dias. Quem de nós, quando criança, nunca sentou à noite aos pés da avó, do avô, da "bá", e ouviu, de olhos bem arregalados, como se a audição tivesse conseguido a proeza de para lá se mudar, as histórias de fadas, de príncipes e princesas, de animais que falavam e aquelas de fantasmas, bruxas e assombrações, temíveis mas ansiosamente esperadas e estrategicamente deixadas para o final, pois ninguém tinha coragem de pedir “mais uma”. E depois lá íamos para a cama, lívidos e pávidos, com a mais convicta certeza em nossos puros corações de que havia um esqueleto no guarda-roupa, um lobisomem debaixo da cama e o homem do saco atrás da porta e de que não sobreviveríamos àquela noite fatídica.
Mas o amanhã sempre chegava e com ele o desejo de sabermos mais. E passamos a interpretar as histórias, a buscar, nós mesmos, naquelas letras, naquelas palavras, naquelas frases, aquele encantamento transmitido pelo contador. E ele veio, só que agora, pensamos, o narrador tornou-se cativo, sua voz é nossa voz, seu pensamento flui em harmonia com o nosso, podemos, enfim, dominar a cadência da história. Ledo engano. Mergulhados no enredo, somos tragados pelas páginas traiçoeiras que nos arrastam às profundezas da trama, de onde não saímos ilesos. E entre sono e compromissos atrasados, ante às reclamações dos que não compreendem esse misterioso universo paralelo da literatura, emergimos com a promessa de que já estamos indo, só mais uma página, por favor.
A literatura é assim: um perder-se, buscar-se, encontrar-se, encantar-se, e de novo perder-se. Ela é viva e é vida, é ser e energia, é paradoxalmente perene e renovável, é fuga e encontro, é um instrumento e um fim em si mesma. A literatura é um dos refúgios da alma.
E de tanto amá-la, passei a dar vazão às histórias que se formavam na minha mente, escrever, pois, tornou-se uma necessidade irresistível. E entre poemas, contos, crônicas, romances, meu coração passeia afoito, cônscio do destino que escolheu quando, ainda tão jovem, deixou-se arrebatar pela crueza singela das secas vidas de Fabiano e Sinhá Vitória, pela dor da perda da cachorra Baleia, pela força e vitalidade que o mestre Graciliano Ramos, o velho Graça, impunha com precisão as suas narrativas.
Tomar posse na Academia de Letras de Campina Grande não me deixa apenas feliz e orgulhosa pela honraria de passar a fazer parte de uma confraria tão seleta, mas também por ser essa a entidade que representa a literatura da minha cidade.
Sim, minha cidade: Campina Grande. Sinto-a tão minha quanto sinto ser meu o ar que respiro pois, embora difuso, pertencente a todos e a ninguém, quando o inalo, ele passa a fazer parte de mim e não sai senão transformado.
É verdade que nasci em Maceió, capital do estado de Alagoas e sinto pela minha terra mãe um amor imenso. Como esquecer dos primeiros amigos, das brincadeiras de rua, de correr com os pés descalços, de chegar em casa com os joelhos ralados, de subir no pé de goiaba do quintal e passar horas conversando e inventando brincadeiras, tal qual o personagem Zezé e seu pé de Laranja Lima, do saudoso José Mauro de Vasconcelos? Como esquecer o primeiro amor, platônico, é bem verdade, mas que me tirava a voz, o ar e o chão quando me deparava com seu alvo na escola, um rapazote comprido, magrelo e de grandes orelhas mas tão belo aos meus olhos pueris? E o primeiro “fora”, o primeiro beijo, a primeira decepção, trágica, dramática e incurável como todas as decepções juvenis? E a grata surpresa de que, dia após dia, o tempo se encarrega de diluir as dores e nos preparar para vivermos novos momentos?
Impossível tirar da minha mente e do meu coração os bailes da adolescência, as serestas com os amigos, o dedilhar nas cordas do violão, as vozes diversas vibrando entoadas, celebrando a alegria de estarmos ali, juntos, sem necessidade de justificativas, pelo único motivo de assim o querermos.
E o que restou então para amar Campina Grande? Muita, muita coisa. Vim para cá para trabalhar, havia sido aprovada no concurso do BANESPA – Banco do Estado de São Paulo, não havia sido uma escolha mas uma oportunidade. Viajava para Maceió sempre que podia para aplacar a saudade. Fui aprendendo a amar Campina pela sua generosidade, seu coração de mãe sempre acolhedor, escancarado. Não foi um amor à primeira vista, confesso, embora fosse poético afirmar isso, mas não, não foi. Campina foi se mostrando para mim aos poucos, nunca quis me enganar com suas belezas pois revelava também suas dificuldades com uma sinceridade ímpar como se parecesse me dizer: essa sou eu, genuína, e você, quem é? E num belo amanhecer, quando eu voltava de Maceió após passar mais um de tantos fins de semana, ao olhar pela janela do ônibus e enxergar Campina ainda sonolenta, envolta na bruma da manhã, eu percebi o quanto já pertencia àquela cidade. E como quem contempla a pessoa amada adormecida ao seu lado e sente o quanto aquela presença transmite segurança e ternura, assim fiquei eu, olhos marejados, sabendo que não estava mais voltando para a cidade onde trabalhava, estava na verdade voltando para o lar, para o meu lar, para a minha Campina.
Diante disso, rogo aos senhores que nunca, nunca me façam a seguinte pergunta: - De qual cidade você gosta mais, Maceió ou Campina Grande? É de uma crueldade imensa. Como perguntar a uma mãe de qual filho ela gosta mais ou a um filho se gosta mais do pai ou da mãe sem lhes causar uma angústia no peito e na alma? Caso insistam em perguntar, receberão o silêncio como resposta pois sinto um amor imenso pelas duas, testemunhas e partícipes da minha história. E esse sentimento, tão semelhante em intensidade e tão distinto pelas vivências, irmana essas duas cidades em meu coração, pois se em Maceió nasci e vivi os verdes anos da minha vida, se é para lá que meu pensamento voa sempre que nele aflora a saudade da menina magrela de pés descalços, foi em Campina Grande que essa vida ganhou sentido, onde conclui meus estudos, onde formei a minha família, onde aprendi e aprendo todos os dias o que é companheirismo convivendo com um ser tão especial chamado Paulo Cesar, onde gerei minhas filhas, Ana Rafaela e Ana Gabriela, bênçãos eternas, e onde encontrei minha vocação literária.
A árvore frondosa deve a doçura de seus frutos à rica seiva extraída e elaborada por suas raízes. Abençoada seja a terra que serve de berço amoroso para seus filhos.
Mas essa dualidade não é um privilégio da minha pessoa. Muitos que aqui estão presentes também compartilham esse sentimento. Aqui chegaram, forasteiros como eu, saudosos de suas terras, e foram construindo, alguns reconstruindo, suas vidas. Abençoada seja a terra que acolhe com amor os estrangeiros que a procuram.
 Sinto-me à vontade, então, para, ao ocupar a cadeira de número 9 desta Academia, homenagear seu patrono Clementino Procópio, e sua pioneira, Déa Cruz, por comungarmos, além da dedicação apaixonada pelas letras e pela busca do conhecimento, o coração dividido e pleno, como bem ilustrado nos versos do saudoso Gregório de Matos:
“O todo sem a parte não é todo,
A parte sem o todo não é parte,
Mas se a parte o faz todo, sendo parte,
Não se diga, que é parte, sendo todo.”
Nascido na fazenda Chéus, no município pernambucano de Bom Jardim, em 1855, Clementino Gomes Procópio iniciou-se como seminarista aos quinze anos, não levando os estudos adiante por falta de vocação eclesial. Sua natureza invocava outros ares e assim, ele foi para a cidade de Batalhão, hoje Taperoá, na Paraíba, e lá fundou uma escola. A “grande seca” de 1877 fez com que o jovem, tal qual o Fabiano de Graciliano, mas, felizmente, mais bem sucedido, saísse em busca de outra cidade, e foi aqui, em Campina Grande, que ele aportou.
Político, jornalista, fez da educação seu ofício maior. Fundou o Instituto São José, uma escola particular que funcionava como internato e externato, no bairro de São José. Em 1888 foi classificado em primeiro lugar no concurso público de professor primário e foi nomeado professor público vitalício da cidade pelo Presidente da Província da Paraíba, Silvino Avidio Carneiro da Cunha, o Barão do Abiaí, assim nomeado pelo Imperador D. Pedro II.
Austero e corajoso, não lhe faltaram os brios quando, por motivos de divergência política, o então presidente do Estado, Castro Pinto, cedendo à pressões externas, resolve transferi-lo para o município de Batalhão. Os dois primeiros ofícios comunicando a transferência foram jogados calmamente por Clementino na cesta de papéis. Assim narra Ronaldo Dinoá, em Memórias de Campina Grande, 1º vol. p. 232:
“Ao chegar o terceiro, o professor Clementino não teve dúvida, pegou do papel e da caneta, redigiu um ofício, remeteu para o Presidente da Paraíba, transferindo-o para o Estado do Maranhão.
Não se sabe qual a reação do Presidente ao receber o ofício do ousado professor do interior. O fato é que nenhum ofício mais foi expedido. Depois de muito tempo, o Dr. Castro Pinto veio a Campina Grande. A Comissão encarregada da recepção solicitou que o Professor Clementino, como homem culto que era, fizesse a saudação ao Presidente. Ele, pessoa de grande coração e elevado espírito, aceitou a incumbência. Fez um belíssimo discurso e o governante, encantado com sua eloquência, perguntou: ‘ Quem é esse moço?’ Responderam: ‘ é o professor Clementino Procópio’. O Presidente fez questão de que ele lhe fosse apresentado, tornando-se os dois, grandes amigos após essa data.”
Essa história curiosa também é contada por William Tejo, mudando-se alguns personagens, mas em ambas evidencia-se o caráter e hombridade do cidadão Clementino Procópio.
A caridade era um traço forte de sua personalidade. Não foram poucos os pobres e famintos acolhidos em sua casa, para com eles dividir o café, o pão e um pouco de humanidade. Ao conversar com o ilustre médico Dr. Severino Cruz, sobre a necessidade de um terreno para construção de um hospital em Campina Grande, doou a área para tal fim, e hoje, o Hospital Pedro I é sua digna herança para nós, cidadãos campinenses.
Em agradecimento à homenagem prestada por seus ex-alunos quando completou 50 anos da abertura de sua primeira aula, em junho de 1928, proferiu as seguintes palavras:
“Dou a alma a Deus, em quem creio piamente, dou meu corpo a meus discípulos, inclusive filhos e netos, dou a minha família o meu nome e a minha memória”.
Em 1935, aos 80 anos, falece Clementino Procópio. Quase toda a população da cidade acompanhou seu enterro.
Nas palavras do Dr. Ascendino Moura, o adeus ao mestre:
O professor Clementino Procópio morreu. Desapareceu no espaço. Mas parte dele ainda vive entre nós e em nós, no tempo e através dos séculos, há de perdurar. É a parte do seu espírito que ele deu a cada um de nós e que jamais será esquecida, porque ficou fazendo parte de nós mesmos. E essa parte é que há de permanecer eterna.”
Que aprendamos com seu exemplo a sermos mais generosos desde os mais pequeninos gestos.
Generosos como assim o foi Déa Borba Cruz.
A moça paulista de Araraquara tornou-se a dama de Campina, nas palavras de Xico Nóbrega. Filha de Índio Brasileiro Borba e Ernestina Cavalcanti Belo, Déa nasceu no interior de São Paulo em 1929, mudando-se, ainda menina, com sua família para a capital, onde ela e os irmãos foram estudar nos melhores colégios. Entre os garotos estava o primo Aroldo Cruz, e desse convívio surgiu a admiração e um grande amor.
Ao formar-se em Pedagogia em 1948 e indagada pelo pai sobre que presente escolheria, não titubeou: queria conhecer a Paraíba, os familiares e reencontrar Aroldo, que àquela época estudava medicina em Recife. O encontro só consolidou o que aqueles corações já sabiam: casaram-se dois anos depois e firmaram residência em Campina Grande.
Mas além do amor devotado ao marido, Déa Cruz também possuía outra grande paixão: a educação. Quando começou a ensinar em casa a qualquer um que a procurasse, Aroldo construiu um colégio junto a sua casa. Surgiu o “Colégio Santa Terezinha”, depois “Estelita Cruz” e enfim “Colégio Santa Cruz”.
Sua inteligência e dedicação à educação campinense não passaram despercebidas. Logo foi convidada para ocupar diversos cargos na Prefeitura de Campina Grande. Foi diretora do Teatro Municipal, Secretária de Educação e Cultura. Na educação foi Diretora, Orientadora Educacional e professora de muitos colégios da cidade.
Foi a única mulher a participar da Comissão do Centenário de Emancipação Política de Campina Grande e teve a honra de ser escolhida como organizadora da festa do Centenário da cidade.
A cronista surgiu quando o jornalista Epitácio Soares descobriu sua veia literária. Sob seu estímulo e apoio, Déa escreveu e publicou a primeira crônica e então não parou mais, levando sua visão do cotidiano aos leitores dos jornais diários.
O Dr. Aroldo Cruz já sabia que tinha ao seu lado uma amorosa esposa, uma mãe dedicada e se orgulhava em ver sua habilidade desenvolta com as letras. Suas crônicas traduziam a beleza da já tão sua Campina Grande, seu povo, suas personalidades, seus cantos e recantos. Os filhos ausentes da cidade buscavam nos jornais que circulavam em outras paragens um pouco de alento para tanta saudade da amada terra.
Algumas de suas crônicas nos levam às lágrimas. Ninguém lê “Giovana – o pássaro ferido” e sai incólume, não há como não sentir no próprio peito a emoção do encontro e a dor da perda da filha amada, que Déa, com maestria e doçura, consegue transmitir em palavras:
“Hoje, final de outubro, escrevo para você ‘Gió’... Quantas são as lágrimas descendo no meu rosto... Esta você não mais vai digitar... Deus achou melhor levá-la para o grande computador do céu... Mas, pode ter certeza: amamos você, na sua vontade de voar, eu, pássaro ferido pela vida... Voe pelo infinito – como você desejava – minha filha...”
Em abril de 1983 Déa Cruz toma posse na Academia de Letras de Campina Grande, honrando a cadeira 9, tendo como patrono Clementino Procópio e sendo saudada pelo inesquecível Amaury Vasconcelos, imortal e presidente-fundador da Academia de Letras. Por quase trinta anos Déa abrilhantou a Casa com sua verve.
Além da inteligência prodigiosa, do amor devotado a seus filhos e esposo e a dedicação desmedida ao ensino, à cultura e às letras, a neta de Neco Belo possuía no sangue a alegria, a beleza das cores, do brilho, e era com essa paleta que Déa coloria a vida contando e recontando as histórias da Campina dos seus amores, tão grande e generosa quanto seu coração.
Ocupar a cadeira 9 da Academia de Letras de Campina Grande deixa-me ainda mais honrada pelas histórias dos vultos que ela simboliza. Que eu possa, pois, aprender com seus exemplos e ajudar a construir, com esforço e dedicação, um legado que venha a contribuir para o engrandecimento dessa Casa.
Muito obrigada.